Psicanálise e Envelhecimento: Escuta, Laço Social e os Desafios da Longevidade

Patrícia Guisolphe

Psicanalista
Convidada: Patricia Guisolphe Martins
Tema: Psicanálise e Envelhecimento: Escuta, Laço Social e os Desafios da Longevidade
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Neste encontro do Projeto Sala Aberta, recebemos a psicanalista e pesquisadora Patricia Guisolphe Martins para uma reflexão sobre os desafios subjetivos do envelhecimento e o lugar da psicanálise na escuta de pessoas com mais de 60 anos.

Partindo das transformações demográficas das últimas décadas, a conversa problematiza como o aumento da expectativa de vida vem produzindo novas demandas clínicas e sociais, exigindo uma revisão de concepções tradicionais sobre velhice, autonomia e saúde mental. O debate revisita inclusive algumas formulações de Freud sobre a análise de pessoas mais velhas, confrontando-as com a realidade contemporânea de uma população que vive mais tempo e permanece ativa por muito mais anos do que em sua época.

Ao longo da exposição, são discutidos temas como envelhecimento, identidade, laço social, solidão, luto, aposentadoria, exclusão social e temporalidade. Patrícia destaca que muitas das pessoas que chegam à clínica nessa fase da vida relatam experiências de perda que vão além da morte de familiares e amigos, envolvendo também a transformação de papéis sociais, mudanças corporais, afastamento do mercado de trabalho e enfraquecimento dos espaços de convivência.

A conversa aborda ainda o conceito freudiano do inconsciente como atemporal e articula essa perspectiva com as experiências de estranhamento produzidas pelo envelhecimento, especialmente diante das mudanças do corpo e da imagem de si. São também mobilizadas contribuições de autoras como Simone de Beauvoir e Angela Mucida para pensar a velhice como uma experiência atravessada por discursos sociais, identificações e processos de luto.

Em diálogo com os participantes, o encontro amplia a reflexão para temas como institucionalização de idosos, sexualidade na maturidade, etarismo, mercado de trabalho, relações familiares e os efeitos das transformações tecnológicas sobre os vínculos sociais. A discussão enfatiza a importância da escuta analítica como espaço de elaboração das perdas, de reconstrução das narrativas de vida e de reinvenção dos modos de existir diante da finitude.

Mais do que compreender a velhice como um período de declínio, este episódio convida o público a pensar o envelhecimento como uma experiência singular, marcada por desafios, mas também por possibilidades de elaboração, transmissão e transformação subjetiva.

Um encontro fundamental para estudantes, pesquisadores, profissionais da saúde, familiares e todos aqueles interessados nas relações entre psicanálise, envelhecimento e cultura contemporânea.